O cultivo de castanheiras

Castanheira Castanea sativa na fazenda Chiqueirão, em Poços de Caldas, Minas Gerais.

As castanheiras são monoicas, possui flores imperfeitas, isto é, estaminadas masculinas e flores pistiladas femininas em uma mesma árvore. Flores estaminadas crescem por regra de ramos emergentes de gemas basais, enquanto na superfície superior da planta, emergem flores bissexuais que conterão entre 1 e 3 flores pistiladas em sua base. Cada flor poderá ser fecundada, e dela frutificar 1 ou mais ovários. O seu fruto é muito rico em carboidrato, e protegido por uma resistente casca lignificada. A castanha é o fruto de uma castanheira e botanicamente ela é denominada uma noz.

São quatro as espécies comerciais de castanheiras: C. dentata, C. crenata, C. molissima, C. sativa. O sítio Córrego da Anta possui castanheiras originárias do Japão, da espécie C. crenata, e originárias da Europa, da espécie C. sativa.

O plantio das castanheiras no Sítio Córrego da Anta segue um programa comum para todas as frutíferas, com a diferença que para ela, assim como para a parreira, o seu plantio se dá no fim do inverno e entrada da primavera. Fazemos o berço de 6 a 3 semanas antes do plantio e colocamos nele 15 litros de esterco, 200 gramas de gesso e 250 gramas de Yoorin (mineral fosfatado), sendo que 400 gramas de Ekosil (rocha potássica rica em silício) é opcional visto quedesconhecemos a sua eficiencia. Entre 20 a 15 dias antes do plantio, nós dissecamos a área do berço e após uma boa chuva de setembro e cerca de 60 mm de acúmulo desde agosto, nós plantamos a muda de castanheira.

O pós plantio é a incansável vigilância contra as formigas cortadeiras, a adubação na entrada do verão com adubo formulado na dose de aprox. 200 gramas bem espalhados, e a pulverização com micronutrientes e com calda biológica de bacillus e, se tiver, de extratos de leveduras, como o Bioativus.

A Adubação deve ser fracionada em 2 duas doses no primeiro ano, e 3 doses a partir do segundo ano. Sendo importante manter a relação magnésio do solo em 4 para 1.

Castanheiras com menos de 20cm de diâmetro de tronco devem receber 75 gramas de nitrogênio por cm de diâmetro de tronco, medico a uns 20 cm do solo. Não ultrapassar 500 gramas de dose total de nitrogênio, segundo recomendação da Michigan State University.

Quando entregar a análise de solo a um agrônomo, avisar ele de que as castanheiras são muito dependentes de uma boa adubação de boro para um bom pegamento de frutos e granação deles, e que a reposição de cálcio é anual devido a depauperação do cálcio do solo causada pela retirada dos frutos com a colheita.

Chamamos a atenção para a ulexita e o fertilizante nitrato de cálcio como boas opções nutricionais para as castanheiras.

A respeito da poda das castanheiras, ela é necessária para aumentar a produção por indivíduo. As partes da planta que são mais iluminadas terão mais atração à seiva da planta. A circulação de seiva é mais eficiente e rápida em ramos retos. Por isto a poda é necessária para desacelerar a circulação de seiva, distribuindo ela com mais eficiência para os ramos plagiotrópicos. A poda é uma barreira física necessária para a maior eficiência de produção de gemas florais nos ramos da castanheira.

Castanheiras bem nutridas, saudáveis quanto aos patógenos, com disponibilidade de agua, temperatura sazonal ideal, e com o adensamento ótimo, de cerca de 400 árvores por hectare, poderão gerar uma produção de 7,5 toneladas de castanhas por hectare.

Além da castanha enquanto alimento, a castanheira fornece madeira de qualidade para movelaria, material lenhoso adequado enquanto substrato para fungos comestíveis, e a suas raízes possibilitam relações simbióticas com fungos, como o porcini.

Consideramos para as castanheiras pulverizaçoes com produtos antibióticos e desalojantes como Hidróxido de Cobre, Enxofre, Bicarbonato de Potássio, Fosfito de Potássio, biológicos desalojantes como a azadiractina, boscalida e casugamicina, e sistêmicos como o fosetil, azoxistrobina, flutriafol, metalaxil, mancozebe, sistêmicos de natureza biológica como os Bacillus, as Beauverias, as Trichodermas. inseticidas via solo como o Durivo precisam de estudo sobre a segurança à saúde humana para a sua aplicação responsável.

As castanheiras são sujeitas a uma doença contagiosa chamada chestnut blight, ou ”cancro do castanheiro”doença causada pelo Cryphonectria parasitica. O cancro já foi observado no Sítio Córrego da Anta, levando à queda precoce de 4 árvores que se partiram, após um forte vento, bem na lesão do cancro. As Castanheiras também são vulneráveis a antracnose causada pelo Apiognomonia quercina e a espécies de phytophthoras.

A colheita deve ser feita coletando castanhas soltas no chão e extraindo dos ouriços no chão castanhas sem distinção entre elas. O produto da colheita deve ser levado para o pátio de processamento. Todas as nozes deveram ser despejadas em um tanque com 1,5-2% de água sanitária . As castanhas que boiarem provavelmente estarão estragadas e salvo visíveis, deverão ser eliminadas. As castanhas deverão ser retiradas do tanque e despejadas sobre uma peneira com furos de diâmetro de aproximadamente 3,6 cm, feita por um serralheiro. Este instrumento separará dois tipos de castanhas: aquelas que serão triadas por conformação e cor e destinadas a venda delas natural no mercado municipal (e empórios), e o restante, que será triado, eliminando qualquer castanha verde ou estragada, e que será destinada a secagem para se transformar em farelo. A respeito das castanhas para o consumo natural, o padrão europeu é 60 frutos (nozes) por kg para frutos grandes, e 100 frutos por kg para frutos pequenos. Para o Sítio Córrego da Anta o padrão deverá ser frutos sem defeitos e com mais do que 25 gramas (40 frutos ou menos por kg). A respeito da cor das castanhas, aquelas selecionadas para a venda delas em estado natural deverão ser homogêneas quanto a cor que precisa ser uma tonalidade de café torra clara.

Castanhas são frutos pobres em gordura (cerca de 1%) e em proteína (cerca de 5%). Contudo, são ricos em carboidratos e em fibras. Castanhas possuem oligossacarídeos como exemplo dos raffinose e stachyose que não são digestíveis para o trato intestinal humano. As castanhas quando recém-colhidas contém aprox. 50% de água. A castanha em calorias contém 180 calorias para cada 100 gramas. A maior parte de seu conteúdo é amido, podendo chegar a 80% da casta- nha. Os açúcares da castanha são variados (maltose, frutose, sacarose, glucose). Embora possua pouca proteína, são proteínas de grande qualidade nutricional para o humano, equivalente aos ovos. Castanhas contém quantidades proporcio- nalmente significantes de γ-aminobutyric ácido, e é uma boa fonte de vitaminas E, C, B1, B2, B3, pantothenic acid, pyridoxine, folate e de minerais, macros Ca, P, K, Mg S, e micros como Fe, Cu, Zn Mn.

O fruto da castanha é composto por um ouriço que o envolve, uma casca, uma pele, e uma pelota de dois hemisférios, formada predominantemente por amido. 20% deste corpo é o peso da casca, e no fruto, a quantidade de amido varia de 40 a 80% a depender da quantidade de água. Para o farelo de castanha, a quantidade de amido é de aproximadamente 70%. A quantidade de fibras fica em torno de 15%, de lipídios em torno de 1,5%, e a de proteína de aproximadamente 5,5%. Do ponto de vista bioquímico, o fruto comestível da castanha é composto de 17 aminoácidos: cisteína, prolina, L-alanina, L-ácido aspártico, glicina, o ácido L- glutâmico, arginina, isoleucina, leucina, lisina, L-histidina, L-metionina, L-treonina, L- fenilalanina, L-tirosina, L-serina e L- valina (VER Apud: LOPES, Bruna de Mônaco. Curitiba, 2016.).

Uma breve curiosidade: no vocabulário gastronômico europeu escutamos dizer marroni castagne, mas a diferença é sutil e não de espécie. O marroni a pele não encrispa dividindo a castanha em dois hemisférios. A pele sai mais fácil assim. Na castagne, a pele envelopa para dentro dividindo a castanha bilateralmente.

As castanheiras produzem um fruto, a castanha que é pobre em óleos e rico em carboidratos. Estas características da castanha faz dela uma excelente base para a produção de farinha ou farelo, e deste assunto vamos tratar logo abaixo:

Para fazer a farinha ou farelo de castanhas, As castanhas devem ser secas em temperatura de até 60° celsius. Acima desta temperatura até 85 ̊C ela irá adquirir uma consistência menos quebradiça, iniciando processo de gelatinização. Existem máquinas no mercado brasileiro de equipamentos industriais que servem para esta finalidade, uma vez que se altere os seus usos. No caso, usamos um forno de padaria associado a um timer de liga/desliga, que, uma vez que o forno tem memória para a programação da temperatura, manteve a temperatura constantemente oscilando entre 45 graus e 62 graus durante a secagem.

As castanhas começam com 50% de umidade e devem ser secas até os 10% de umidade. A secagem se concluirá quando o peso da castanha corresponder a 61% do peso de entrada. Para facilitar a secagem, quebrar as castanhas, trincando elas ou rachando a sua casca. Assim elas soltarão naturalmente a casca e a pele para que o resultado final com um pouco de ventilação e choques mecânicos sejam pedaços de castanha limpos de casca e pele. Para calcular o rendimento, considerar que a casca da castanha corresponde a 17-18% de seu peso natural. E considerar que a castanha deve perder 38% de seu peso em desidratação: o que corresponde a perder 50% de seu peso natural. Portanto, para casa 100 gramas de castanha crua com casca teremos 50 gramas de castanha seca sem casca. Esta castanha será submetida a uma moagem em um triturador estilo “de carne”, reservado exclusivamente para esta função.

Considerando o custo de processamento numa estimativa de 20% do valor, e considerando custo de embalagem e publicidade, podemos pensar em um sobrepreço de 40%. Portanto, a castanha seca deveria segundo esta sugestão de valor custar 2,4 vezes o valor da castanha crua. Pensando em um valor em torno de 50 reais o kg, a castanha seca custaria 120 reais o kg.

Os produtos secos de castanha (castanha inteira, em pedaços, em flocos ou refinada) tem diversas finalidades como ingrediente para indústria panificadora e de bebidas alcoólicas

A qualidade sensorial da farinha de castanha é sabida pela textura aveludada, cor branca ou marfim, sabor doce e aroma de castanha.

A Cerveja de castanhas-portuguesas do sítio Córrego da Anta é feita com porcentual de 25% do farelo dela em relação ao malte, seco e processado artesanalmente no Sítio Córrego da Anta. O pesquisador Julio Goés Soares sugere adicionar 45% de amido de castanhas portuguesas e pré-gelatinizar este ingrediente, o pré-cozendo em aproximadamente 80° a 90° Celsius por 10 a 20 minutos. A versão de teste da cerveja Mourisca, do sítio, está com 6,4% de gradiente alcoólico, e 20 de IBU.

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